28 de jul de 2011

Asas de Papel



Estou nu,nesta noite fria de São Paulo,vejo os prédios tocarem o céu,as luzes acessas são pingos em cada quarto,habitado pela solidão..Nas calçadas me vejo entre pedaços de papelão,a chuva  tem gosto de lágrima e saudade..Não consigo enxergar as estrelas,embaixo do viaduto veja no muro,estrelas pintadas..O vento me trás folhas de jornal,são com elas que farei minha nova asa,existe uma poesia escrita neste jornal,uma poesia que fala de um amor impossível,uma poesia borrada..Subo no mais alto prédio,sinto novamente o vento cortar meu rosto,vejo toda cidade onde muitos dormem e nem sabem de mim..Carros que vem e vão,luzes que iluminam o céu,mas ainda não é natal..Nas minhas pequenas asas de jornal,vejo meu nome na sessão de obituário,mas talvez seja apenas um sonho..Vou me jogar no vazio,vou me jogar nos seus braços noturnos,o asfalto frio quer me beijar,minha vida se passa em um segundo,já que não tenho nada pra lembrar..Ouço vozes,não sinto meu corpo,o céu cinza deu lugar a um branco como a neve,mas não sinto mais frio,conseguir voar,mas não posso acordar,parece que estou no céu,o anjo com asas de jornal voltou pra casa...

1 comentários:

Silêncio M. disse...

"fui feito pra ninguém precisar de mim"... Coerente...Perfeito. Somos desnecessários e substituíveis!

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