28 de mar de 2012

A MENINA QUE CHORAVA BORBOLETAS


Quem dissera que aquela menina,uma vez nunca mais chorou,que suas lágrimas se transformaram em areia e hoje mede o tempo em uma ampulheta sobre sua mesa..
Tem escrito pouco,sua solidão é tão quente que sua pele se aquece pela neblina da manhã..
Tem tido pesadelos,alguns que a faz dormir com a luz acesa,a cera da vela escorre,manchando a velha penteadeira..Sua madrasta tem sido muito dura com a pobre menina,suas tarefas domésticas tem lhe tirado todas suas forças,.suas pequenas mãos é um pequeno barco de papel levado para bem longe ..
Sua vontade de chorar,a vontade de sentir em sua face,o doce amargo sabor de uma lágrima..
Mas suas lágrimas,não existiam mais,sua dor era tão forte que seu pequeno esqueleto trincava de tanto frio,seu segredo era toda noite,brincar com sua boneca de pano,na verdade um pequeno trapo velho,costurada  à mão e com apenas um olho feito de botão..
Antes de dormir abraçava sua bonequinha e pedia que pudesse chorar,para que sua dor fosse suportada,que ao amanhecer pudesse se sentir mais leve..
Um nova noite se passou e a pequena menina não chorou..
Ao deita-se mais uma noite,percebeu que sua boneca,não estava no lugar costumeiro,será que sua madrasta jogou fora sua unica fonte de afeto..
A menina temia,perguntar onde estaria sua bonequinha..Onde estará aquele pequeníssimo  pedaço de pano que é sua fortaleza,seu abrigo,seu único amor..
Dias se passaram,então a pequena menina,buscou lá no fundo de sua alma branca de anjo,toda coragem do mundo e perguntou a sua madrasta onde estava sua amiga imaginaria..
Mas o que ouviu foi uma irônica risada,um riso sinistro que vinha daquela mulher,fez até que o demônio que vivia no poço daquela floresta senti-se medo..
-Maldita menina!!
disse a madrasta:
Sua pequena amiguinha de trapo,agora nos aquece,e você é bem grandinha,não é mais  uma criança..
A pequena menina,olhou para aquele forno,onde um sopa de ervas era aquecida,e pode ver o olho verde feito de botão,derreter..
Sua unica forma de amor,pairava pelo ar em forma de fuligem,naquela noite a menina não sentiu fome,não sentiu frio, e por incrível que pareça não sentiu dor..
Como possuía apenas um vestido,já todo remedado,a pequena menina rasgou sua blusa,que lhe protegia do rigoroso inverno e pela madrugada costurou uma outra bonequinha..E pela manhã,lá estava sua nova amiga,mas faltava algo,ela não tinha olhos,onde conseguir botões,ela não tinha nada,quando sua mãe morreu,lhe deixou apenas saudades e o dizer do que era amor..
Olhou pelo vidro quebrado da janela do seu quarto e enxergou em seu olhos azuis,um mundo distante habitado por fadas e gnomos..
A menina que não chorava, desenrolou de um pedaço de pano uma pequena faca que havia tirado da mesa do jantar..
Pronto sua boneca tinha os mais belos  olhos azuis do mundo,como o orvalho que beija o céu,sua amiguinha de pano tinha um mundo de fantasias azuis como o céu de inverno ..
Naquele dia a menina chorou,não chorou lágrimas de tristeza, nem tão pouco lágrimas doces,chorou borboletas,borboletas azuis,verdes,negras..Borboletas que levou a pequena menina até sua mãe..
Até hoje dizem que quando uma menina com alma de anjo branco chora,suas lágrimas transformam em borboletas,que enfeitam toda neve daquele reino de sonhos..Onde aquela menina nunca chorou..


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