2 de nov. de 2010

Sinais...

Do meu esconderijo recolho meus desejos,fecho as janelas e não deixo o sol entrar..O meu caderno faltam folhas,nada que escrevo é realmente o que sinto..Em cada folha fica o rascunho como em madeira talhada,uma sobre a outra..Tudo em mim foi por este mundo em uma grande viajem..Olho ao meu redor e vejo gavetas desarrumadas,vestígios de que um dia houve uma moradora,houve com quem eu pudesse confidenciar segredos,segredos estes que eu mesmo nem sabia que eram segredos ..Meus medos fogem de mim,a idolatria de um coração é agora o reverso de suplicas inventadas.
O que tenho agora dentro de mim além do gosto de sua saliva é um amontoado de lembranças que a persiana do meu quarto faz questão de criar um clima de suspense,deve ser pelo batimento e abatimento do meu coração..Estou em construção,ainda tenho rachaduras que talvez uma mão de tinta e uma demão de uma afeto qualquer faça da minha fachada algo novo de se apreciar..Quando penso em você,ainda tenho abalos sísmico,de uma escala chego ao dez-espero que tudo se acalme,que tudo permaneça como uma grande casa vazia e mesmo que eu grite,ninguém me ouvirá,nem eu mesmo ouvirei pois neste dia eu não estarei aqui,estarei a te procurar sem sabe onde você está... 

30 de out. de 2010

UM SIMPLES CÉU

As horas escorreu pelo bolso furado da minha calça,o tempo aprisionou-me em uma bola de vidro,já não me sinto,meu tato perdeu a sensibilidade,não sei o que é frio ou calor.Uma metade de matéria jogado no espaço,orbitando provisioramente em algum corpo celeste,que possa oferecer-me a noção deste tempo que perdi..Sou um pequeno planeta de vidro,riscado por estrelas viajantes lá fora não vejo mais o pôr do Sol,agora as estrelas não me atraem tanto..Finalmente encontro meu Zodíaco,mas não vejo minha casa astral,falta algo,falta você..Onde está Deus o pedido que lhe fiz,aquela estrela que um dia riscou o céu e nela depositei minha felicidade?
Esqueci que o Natal está chegando precisa enfeitar o céu,só não esqueça do meu presente aquele que um dia de mim foi tirado..Vou ficar aqui o céu hoje parece um néon com uma lâmpada queimada,não decifro o desenho,quem saiba se eu chorar minha lágrima cristalina complete este brilho...
Gosto de olhar o céu a noite,em vez de caçar borboletas queria correr atrás de cometas,mas não posso o céu não é só meu..Vou viajar em minha casa de vidro,alcançar a velocidade da luz,me chocar no vácuo e quem saiba um novo mundo não nasça,quando meu corpo se desintegrar no infinito do universo


                                                                                                                                     

                                                                                                                              

29 de out. de 2010

Conheço a tua dor


Teus poemas são sentimentos manuscritos, emoções a escorrer em tintas. Mil cores com um brilho que me cega, e me faz sentir além do que as letras me revelam.
Palavras conhecidas, sensações divididas, momento único, porém, longo... Para ti... Para mim...
Na solidão do teu sentir, estás ao longe, rastejando sob o sol, ansiando pela luz da lua, e Como um verme, o amor, contaminando teu coração com a solidão imposta por expectativas vans...
Desejas se libertar das correntes criadas, tão bem disfarçadas que quase não sentes o sabor de tão dolorosa prisão causada por tão intensa paixão.
Onde está a chave? Como abrir a porta de um coração trancado por dentro?
Há um lago ao redor de tua torre... Há dragões do medo da perda, na tua fantasia, e eles te vigiam, não querem te deixar partir.
Porém, não consigo ouvir teus gritos, teu pedido de socorro... Posso apenas, ouvir um som distante, como um suspiro de TALVEZ AGORA DÊ CERTO.... Uma esperança... Um desejar sem limite, que parece nunca acabar. Domínio cedido à quem não soube te amar... Talvez!
Percebo que olhando por uma pequena janela dessa tua cela, única abertura que te deixa respirar, estás a admirar o horizonte. O que esperas que o mar te traga? Que barco é esse que teu cais tanto precisa?
Tamanha angústia cala teu talento. Teus olhos cansados emocionam os meus. Vejo na tua dor, um esboço da minha. Vejo na tua saudade, algo que já perdi e nem sei se algum dia foi meu.
Não tento entender o que me dizes, ou o que sentes... Não preciso! Cada palavra que teu talento descreve me revela um filme, onde todas as falas... Fui eu que escrevi. Não há necessidade de explicações agora... Tudo o que você sente... Eu também já senti.

                         
Gil Façanha

Você


Tenho feito uma longa viagem ao centro da minha terra... Terra que só eu conheço, caminhos que eu mesma tracei através das minhas escolhas, minhas entregas, meus “preços”.
Mergulhei fundo no meu oceano de emoções, revi momentos de escuridão e luz. Encarei meus medos, minhas angústias, duras realidades, e gritei em voz alta, encarando-me  diante do reflexo  da minha própria alma, todas as verdades que eu mesma me neguei na esperança de estar certa quando viajava em meus sonhos.
Subi a mais alta das montanhas até quase me faltar o ar, tentando interiorizar, quase que em uma atitude agressiva, a realidade que por tempos me amedrontava.
Percorri todas as estradas, me perdi em túneis que eu mesma cavei, e submersa nos destroços das paredes das minhas certezas, que outrora fora sólida... Ouvi passos, consegui enxergar um raio de luz... Era você!!
Você que silenciosamente acompanhava meus passos e tentava me proteger...
Você que encontrei a minha espera no centro da terra...
Você que me resgatou daquelas águas profundas e com apenas um sinal, me fez lembrar que o meu elemento é o ar...
Você que me mostrou como algumas verdades são questionáveis, dignas de talvez...
Você que a minha espera no pico da mais alta montanha que a minha angústia já escalou, aproximou-se e me devolveu o ar, dizendo-me que eu não precisava ir tão longe, nem tão fundo, nem tão alto pra descobrir que o amor estava aqui, diante de mim.
Você que estava em todos os pontos dos caminhos que tracei, me observando, apenas pra ver onde eu realmente queria chegar...
Você que hoje está aqui, se doando como preciso, presente em meus piores e melhores momentos...
Você que merece o melhor de mim por me doar o melhor de você...
Você que simplesmente me ama...
Tenho todas as razões que preciso pra dizer... Amo você.


Gil Façanha

AVERSÃO DE MIM

Cultivei em ti todos os meus sonhos,cada semente plantada antes da primavera com a esperança que você florescesse e desta forma fosse a mais bela flor do meu singelo jardim..Mas o inverno chegou sem avisar,o frio da ilusão com suas noites longas me levou você..Só me restou um coração árido e seco,onde mais nada nascerá..A saudade e a dor,que lhe serve de guia,me leva ao extremo da tristeza,da mais infinita solidão..Não sei onde procurar seu sorriso,não sei ao certo se poderei viver sem pronunciar teu nome..Chuto pequenas pedras pela rua,todo forma de distração é levemente roubadas de mim,como deixar de pensar em você,como se ensina a esquecer  um grande Amor..Formulas alquímisticas de esquecimentos perdidas e ainda não inventadas talvez me serviriam de alivio..Mas nada disso existe,eu não existo,suavemente sou preso a você,amordaçado e entregue a teu corpo no ritual entregue ao Deus estrelar..Inevitável destino,que a vida escreveu em um pedaço de papel de pão,onde falta explicações e razões por me esquecer assim..Noites em claros num quarto escuro,os olhos do silêncio brilha e ofusca meus raros sonhos,sonhos estes que apenas sua sombra me visita,sem ao menos abrir meu coração e sobre a cabeceira do criado-mudo e deixar um simples bilhete dizendo:ESTIVE AQUI,NÃO QUIS LHE ACORDAR..DURMA BEM MEU AMOR"

27 de out. de 2010

VOLTANDO AO LAR

Retorno finalmente de casa,uma longa viajem foi esta,no retorno em minha nave de pensamentos,milhares de coisas flui de dentro de mim,conceitos de sentimentos que por certo momentos achei importantes..Sacrifiquei minha alma,fiz nascer dela as mais horríveis dores...E quando encostei minha cabeça no ombro do silêncio,consegui finalmente escutar meu coração,ouvi sua voz que há muito tempo foi abafado por amores passageiros,paixões sem nexo,tudo em vão...Posso ver o céu trincado e a luz do fim de tarde eleva meu corpo ao verdadeiro conhecimento de que tudo é uma questão de tempo,um tempo voltado não pra mim,mas sempre a um reflexo imaginário,estranho e ortodoxo..
Será tudo real mesmo,viverei agora não a vida,viverei a mim mesmo,dedicando cada segundo em prol de um paz em que eu possa senti eu mesmo imperfeito,estranho no ninho de uma multidão,que seguirá o mesmo destino..Minhas asas finalmente estão como nunca estiveram reluzem estrelas e cheiro a cidreira..
Volto pra casa,com a certeza que mudei e esta mudança será para um lar acolhedor e que possa agora sentir a chuva bater na janela e não ter melancolia e sim alegria....................

18 de out. de 2010

O AMOR VESTE LUTO



O que faço com sua indiferença,nem ao menos me nota,sou invisível aos teus olhos,imperceptível aos seus sentimentos mesquinhos,sou um nada para você.Acreditei por um instante ter encontrado o céu em teus olhos e de suas promessas meu único vocabulário,não me magoou,nem tão pouco me machucou.Fez do amor que lhe deste uma marionete,construiu estórias nas quais fui o único personagem,no ato final cortastes a linha que me ligava a você,agora sou inerte,sem ação,sem emoção.Quero que saibas,a dor que me consome,não é eterna e nem parte de mim..A tempestade é assustadora quando se está só,talvez por quer o céu escuro tem a mesma cor dos seus olhos negros..

17 de out. de 2010

Porta aberta


Deixei a porta aberta pra você entrar. Fingi que foi esquecimento, mas é só minha esperança de ver você voltar.
É bem verdade que muito mudou na tua ausência. É bem verdade que alguns dias foram noites, porque em certas noites eu ainda sentia tua presença.
Te procurava pelos cantos, lembrava do quanto me revelei pra esse amor. Acho incrível e absurdo, como algumas grandes emoções podem se transformar em dor.
Fui intensa a cada hora, o mais verdadeira que eu pude ser. Me entreguei de corpo e alma, provei do sabor que tinha você.
No último encontro, a despedida, eu pude ver no teu olhar! Tua emoção estava perdida, e eu não pude evitar.
Foi adeus sem lágrimas nos olhos. Não sentia vontade de chorar.
Quando percebi a ausência daquele brilho, não conseguia nem falar.
Me lembrei da nossa história, de tudo que vivemos até então. Me perguntei se todos aqueles momentos, foram sentidos em vão.
Me chamavas de meu anjo e contigo eu parecia voar. Eu mergulhava em teu corpo e de prazer me fazias flutuar.
Estou me recuperando, tentando fazer o melhor que posso. Mas não é fácil te arrancar  do peito... Me dói, mas eu forço.
Nos teus braços me senti menina, fêmea, mulher... Hoje sinto-me apenas um anjo... Que ainda não consegue ficar de pé.


Gil Façanha

16 de out. de 2010

A MENINA DONA DO DIÁRIO

Ela perdeu se diário secreto,escrevia nele coisas,sobre contos de fadas,alma gêmeas e sonhos..Em algum lugar alguém  ler seus segredos,suas tristezas e até suas poucas alegrias.Toda sua vida rascunhada,rabiscada,destacada em verde limão..Seu diário guarda fotos de quem partiu,papel de balas sobre como amar.O que um dia foi lembranças,se transformou em palavras cor de rosa,azuis e vermelhas.Pobre menina que chora por ter perdido seu fiel confidente,aquele que por muitas vezes transformou essas lágrimas em letras,para que ela não notasse que chorou sem saber.Seu diário na verdade não foi pedido,seu diário na verdade foi roubado,seu diário é seu coração que foi levado e nunca mais devolvido.


*Escrito inspirado em uma pessoa que me vista e comenta todos os meu escritos Danielly*

15 de out. de 2010

FOLHAS


Não desisto de lhe esperar, conto cada folha que cai ao chão neste dia esquecido de inverno, o que vejo são sombras apressadas, as imagens que correm se transformam em um filme mudo, vejo minha vida em uma comédia sem risos, um drama com lágrima, o suspense de que um dia você me ache e tudo seja um final feliz. O dia perde sua estética, nada muda, tudo é igual como ontem e o amanhã é um desejo. Sou o desenho que as crianças rabiscaram no muro, esperando que me note, antes que a chuva apareça e leve com ela meu sorriso. Farei-te uma flor com jornal e quando ela se desabrochar talvez no meio de tantas palavras alguma faça você de mim se lembrar. Hoje não chorarei, guardarei minha ultima lágrima junto com a esperança de um dia lhe meus olhos com os seus se beijarem.

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